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O lixo atômico da propaganda

Para escrever este post pensei muito em Bob Garfield, um dos principais críticos de propaganda dos Estados Unidos. O polêmico colunista da Advertising Age, esteve no Brasil no Proxxima 2008 - Encontro Internacional de Comunicação Digital, dando suas alfinetadas e as típicas previsões que deram fama ao seu nome. Eu, particularmente, nunca gostei de críticos, pois acho que a maioria deles critica pelo prazer de criticar. Com Garfield, entretanto, a coisa muda de figura, pois ele critica, explica e dá nome aos bois com muito humor e inteligência. Ele, sem dúvida nenhuma, dissecou a propaganda americana como poucos tiveram a coragem de fazer.

É fato notório que a propaganda mundial em termos de pertinência e bom gosto nunca esteve tão decadente. Garfield sem meias palavras chegou a afirmar que Cannes é um verdadeiro show de horrores, um palco de projeção do lixo atômico da propaganda mundial, apesar de 10 em cada 10 publicitários, afirmar o quanto esse festival é importante para manter a qualidade criativa em alta. Garfield também ataca implacavelmente o uso abusivo da violência e do sexo nas campanhas publicitárias. A publicidade americana é um bom exemplo, já que lá as campanhas apelam literalmente à todo o tipo de expediente, tudo em nome da criatividade. Quebrar as regras é o lema das agências, não importa de que jeito. E é por isso, que estamos vivendo um verdadeiro Armagedon publicitário.

As análises de Garfield, no meu modo de ver tem muito valor, até mesmo para o nosso mercado regional, o Paraná, que é rico em propaganda de mau gosto, impertinente e de baixa qualidade.

Apesar de me enquadrar na classe dos publicitários, concordo em gênero, número e grau com Bob Garfield. Acredito que o mercado publicitário valoriza em excesso os festivais, e acaba esquecendo que a criatividade deve ser usada como um meio e não como um fim. Essa falta de consciência faz com que a pertinência, o bom gosto e a coerência de uma mensagem publicitária fiquem pelo caminho. Segundo a opinião da maioria esmagadora dos diretores de criação, criatividade é tudo!!!

Tenho a convicção que as opiniões bombásticas do Bob Garfield devem servir de reflexão para o mercado brasileiro de publicidade. O foco do trabalho de toda agência de propaganda deve estar centrado na construção de marcas fortes que alavanquem os negócios de seus clientes. O resto é baboseira. Tá na hora dos próprios clientes aprenderem a não idolatrarem em excesso as agências que ostentam prateleiras recheadas de prêmios. Porque no fundo, tudo isso pode ser uma baita ilusão.

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Publicado por Jemon em 26 de Março de 2008 arquivado em Propaganda |


4 Comentários em “O lixo atômico da propaganda”

  1. Daniel Ribeiro Disse:

    Jemon, concordo plenamente. Hoje é ligar a TV, abrir uma revista ou jornal para ser bombardeado por propagandas de mau gosto e com execuções grotescas. É uma critaria só. E ainda tem gente dizendo que essa é a nova ordem. Para vender no varejo precisa apelar!

    Mas, pior que o trabalho realizado por algumas agências é a qualidade (ou melhor a falta dela) nas produções realizadas ´direto´ ou por houses despreparadas. Quem perde com tudo isso? Sem dúvida o consumidor. Ele deveria defender uma publicidade de melhor qualidade.

    Grande abraço

  2. Marcos Disse:

    Ainda não tinha visto o blog depois da mudança. Parabéns!!! Ah, só continuem mantendo a qualidade das matérias.

  3. andressa Disse:

    Hehehehe… Lixo atômico é o que assistimos quando nos aproximamos dos finais de semana. O lixo anunciado pelos feirões de carros é abominável. É de dar nauseas!!

  4. Tom Morgan Disse:

    De fato, exagero nos decibéis, clichés e soluções nauseantes estão em voga nos espaços comerciais da TV. No entanto, o que mais me incomoda é a propaganda direcionada ao público infanto-juvenil. Sinto as técnicas de convencimento/sedução desse segmento específicamente como algo frequentemente anti-ético.

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